O Conceito de Governança Corporativa

O Conceito de Governança Corporativa
18 Abr 2022

O termo Governança tem sido aplicado nos mais diferentes contextos se áreas do conhecimento (ex. Governança na Saúde Suplementar, Governança da Internet, Governança Corporativa, Governança de Tecnologia   da   Informação, Governança   de Segurança   da   Informação, Governança de Dados, Governança da Informação, Governança Digital, Governança Pública, entre outras).  Contudo, o conceito de governança  e  os  elementos  que permeiam esse termo é motivo de muita confusão e incertezas quando discutidos na academia ou mesmo no meio organizacional.

Muitas vezes se observa confusões conceituais entre os termos governança e gestão,  por  exemplo.  A governança  deve  ser  observada como  um  ambiente  de direcionamento,  planejamento e organização das  decisões  que  irão  definir  as diretrizes  da gestão.  De  outra  forma,  a gestão está  dentro  da  governança  e é um elemento  essencial  para  que  as  diretrizes,  políticas, normas,  ações e  estratégia definidas no nível das estruturas de governança sejam adequadamente executadas.

A Governança Corporativa  (GC) se  baseia nos  princípios  da  transparência, equidade, responsabilidade corporativa e prestação de contas como mecanismos de controle.  Objetiva  regular,  controlar  e  supervisionar  as ações  executivas  de  gestão, além   de   estruturar   a   composição   de   conselhos   e   corpos   decisórios.   Nessa perspectiva,  a governança  pode ser  vista  como relacional,  por  compreender mecanismos  de  relações  entre stakeholderse shareholders; normativa, no  âmbito que  define  regras,  normas,  sanções  e  incentivos; estrutural e decisória por estabelecer   mecanismos   que   evitem   assimetrias   entre   os   direitos   políticos   e econômicos, a  GC  compreende  ações  coletivas,  que  tratam  aspectos estratégicos  do  corpo  diretivo,  decisões  de  âmbito  global  do  contexto  em que  é aplicada e papéis e responsabilidades dos tomadores de decisão.

A   literatura   aponta   quatro   modelos dominantes   de   GC.   O   primeiro, denominado modelo  dos stakeholders,  define  que  os  elementos  de  inter-relação da  organização  são  mais  relevantes  que  os  próprios  acionistas.  O  segundo,  o modelo   da   procuradoria   (stewardship),   aponta   que   o   corpo   diretivo   é   o representante  dos  interesses  organizacionais.  O  corpo  diretivo  é  o  responsável  por maximizar  os  benefícios  corporativos  e  garantir  o  retorno  de  investimentos  aos acionistas.  O modelo  político vê  o  investidor  convergindo  para  um  processo  que visa a aumentar o seu direito de voto, no sentido de influenciar as políticas e práticas corporativas predominantes. Por fim, no modelo das finanças, a GCé estabelecida segundo os critérios pelos quais os investidores da corporação asseguram o retorno do  capital  investido.

Acreditamos  que  ao  caracterizar  os  quatro  mecanismos  de  governança (relacional, normativo, estrutural e decisório) e seus contextos internos e externos é possível  que empresas,  alunos, professores e pesquisadores compreendam  onde  exatamente se  aplica  o conceito de  governança  e  os  elementos  que envolvem esse  fenômeno. Ademais,  a  amplitude  do  conceito e  a  sua  aplicação  nas  mais  diferentes áreas  do conhecimento possibilita  que  diferentes  linhas  de  reflexão  sejam  desenvolvidas. Desde  a  governança  de  um  elemento  de  nível  mundial  como  a  Internet  até  um fenômeno  de  nível  micro  nas  organizações  como  a  governança  dos  dados,  ambos possuirão os  mesmos  elementos estruturantes,  mas  com mecanismos e elementos internos e externos distintos.